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(David Mourão-Ferreira) |

Pintaste
a minha vida num quadro em desalinho
Minhas curvas são teus traços,
Minha alma, tua tela.
Estendo lânguido o corpo
Espero a cor
Não sou senão obra tua.
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Ontem
foi dia de Stº António. |
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
(Eugénio de Andrade)
Come ti
amo? |
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É quando um espelho,
no quarto, (David Mourão-Ferreira) |
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"SE
TU MI DIMENTICASSI"
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Nós
temos cinco sentidos: (David Mourão-Ferreira) |
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Este
post é dedicado à minha Mãe e a todos os que, de algum modo, me foram
procurando neste espaço. |
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- Vida e Morte José
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CÂNTICO
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