fevereiro 25, 2005

Retrato (V)

"SE TU MI DIMENTICASSI"

Voglio che tu sappia una cosa. Tu sai com'è questa cosa:
se guardo la luna di Cristallo, il ramo rosso del lento autunno alla mia finestra,
se tocco vicino al fuoco l'impalpabile cenere o il rugoso corpo della legna
tutto mi conduce a te, come se ciò che esiste, aromi, luce,
metalli, fossero piccole navi che vanno verso le tue isole che m'attendono.
Orbene, se a poco a poco cessi d'amarmi
cesserò d’amarti a poco a poco.
Se d'improvviso mi dimentichi, non cercarmi, che già ti avrò dimenticata.
Se consideri lungo e pazzo il vento di bandiere che passa per la mia vita e
ti decidi a lasciarmi sulla riva del cuore in cui ho le radici, pensa
che in quel giorno, in quell’ ora
leverò in alto le braccia e le mie radici usciranno a cercare altra terra.
Ma se ogni giorno,ogni sera senti che a me sei destinata con dolcezza implacabile
se ogni giorno sale alle tue labbra un fiore a cercarmi
ahi, amore mio, ahi mia, in me tutto quel fuoco si ripete,
in me nulla si spegne né dimentica
il mio amore si nutre del tuo amore, amata,e finché tu vivrai starà
tra le tue braccia senza uscire dalle mie.



"SE TU ME ESQUECES"

Quero que saibas uma coisa. Tu sabes como é:
se contemplo a lua de cristal, os ramos rubros do outono lento da minha janela,
se toco ao pé do lume a impalpável cinza ou o corpo enrugado da lenha,
tudo a ti me conduz, como se tudo o que existe,aromas, luz, metais,
fossem pequenos barcos que navegam em direcção às tuas ilhas que me esperam.
Ora bem, se a pouco e pouco deixas de amar-me, 
deixarei de amar-te a pouco e pouco. 
Se de repente me esqueceres, não me procures, que já te haverei esquecido.
Se consideras longo e louco o vento de bandeiras que percorre a minha vida 
e decidires deixar-me à margem do coração em que tenho raízes, pensa
que nesse dia, nessa hora, 
levantarei os braços e as minhas raízes irão procurar outra terra.
 
Mas se em cada dia, em cada hora, sentes que a mim estás destinada com doçura implacável. 
Se em cada dia em teus lábios nasce uma flor que me procura, 
ai, meu amor, ai, minha, todo esse fogo em mim se renova, 
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor do teu amor se nutre, amada,e enquanto viveres continuará 
nos teus braços sem abandonar os meus.

(Pablo Neruda)

 

Publicado por cotadaembolsa em 07:04 PM

À mesa com o passado.

Voltei a chegar a "horas de jantar a sós", não tenho emenda, embora tu não saibas disso... a mesa estava posta para o tal jantar que nem te sei dizer o que foi.
 Liguei a “Caixa das Desgraças”, senti  náusea de adulto perto de um McDonald's, quando vi o Marques Mendes, em tom de santidade, clamando confiança e perdão, a um povo ainda mais cansado do que eu.
Peguei na primeira revista que me apareceu e espetei-a sobre a mesa.
(«Não se põem revistas sobre a mesa», eu sei papá, eu sei mas hoje, que se lixe, tive um dia desgraçado).
Desfolhei meia dúzia de páginas descritivas da "seca" que a Vida é  e mergulhei em ti... Confesso-te que, ao primeiro impacto, pensei: «não tenho sorte nenhuma...» depois, vi-me com nove anos, espreitando da janela da sala a tua Casa, frente à minha. Eras um "puto girissimo", loiro, de olhos azuis vivos e tristes que nunca soube definir.
 E pronto,... tinha-me apaixonado pela primeira vez.
Mal eu sabia, que seria o inicio da criação de um estereótipo, que não me largou a vida toda.
Lembro-me dos concursos de matemática, em que só nós entravamos e das "festas de garagem", onde os outros iam descobrindo as diferenças entre sexos, enquanto nós, atónitos, devorávamos os livros das redondezas...  do slow  do Billy Joel em que me deste o primeiro beijo, «I love you just the way you are» ... o meu primeiro beijo...
Eu queria lá saber se era de boas famílias e o teu avô era carpinteiro, eu queria lá saber se o meu pai tinha heranças e o teu sucesso... eu queria lá saber...
Depois levaram-te para longe, estudos num colégio interno em Inglaterra e sei lá que mais... sei apenas que transformei o quarto numa «little England», fotografias, bandeiras, recortes de jornal e esperava-te, na mesma janela, quando chegavam as férias,... o que eu gostava de ti...
Nunca nos escrevemos muito, mas as cartas que me mandaste, guardava-as entre os livros para as reler a cada intervalo. Passava, no caminho para as aulas, defronte ao teu portão e  conseguia, por vezes, uma boleia até ao Colégio no "127" beije da tua mãe.
Penso que ambas matávamos saudades nesses momentos...
Depois crescemos e quando se cresce, a Vida ganha outras formas. Nós não ficamos imunes.
Às vezes ainda te encontro por aí, o Porto é pequeno demais para que nunca mais te visse. Muita coisa mudou mas a sensação feliz de reviver a infância e quase toda a adolescência é sempre uma constante.
"Cais-me na sopa,  a torto e a direito" mas já me habituei a encontrar-te, quando abro jornais e revistas.
Para mim es sempre "apenas o Paulo", ainda que, para tantos outros, não passes do "filho do Belmiro".

Publicado por cotadaembolsa em 01:04 AM | Comentários (11)

fevereiro 24, 2005

Portugal começa a mudar...


  O bacalhau já não quer alho,
             ...bastam-lhe as batatas...





Publicado por cotadaembolsa em 08:41 PM | Comentários (5)

fevereiro 23, 2005

"mea culpa"

Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?

(David Mourão-Ferreira)

Publicado por cotadaembolsa em 11:59 PM

fevereiro 22, 2005

P'ra Portugal??... Inverta a marcha e gire à Esquerda.



«A terra para quem a trabalha!!»...gritou.

...Cansada de apenas lhe ordenar: «- Siga
Avante, homem, siga Avante», sentia-se, hoje, "instrumento de mudança"...
Mergulhada neste novo espírito, de
amplas liberdades conquistadas e sociedade sem classes, desejosa de provar a força da classe operária, de ouvir, bem perto, a voz do proletariado...
perdeu a cabeça e beijou o «Chauffeur».

...estava certa de que, a partir desse dia, na vida daquele homem,  para além do
democrático beijo e umas quantas novas bactérias,
ia ficar tudo igualzinho...

Publicado por cotadaembolsa em 05:40 PM | Comentários (6)

fevereiro 19, 2005

Raros momentos... (graças a Deus)



... em período de reflexão...

Publicado por cotadaembolsa em 12:02 AM

fevereiro 18, 2005

Cartas Abertas (porte a pagar no destino)

A Pedro Santana Lopes - Pois é, meu caro, eu bem queria dar-lhe na cabeça mas ensinaram-me que não se bate num morto.
O seu PPD-PSD, encarregou-se da tarefa por mim e já lhe deu o presente envenenado, o Durão vingou-se daquele célebre debate de Congresso em que lhe andou a meter nojo. Os "barões", estão só à espera do seu enterro, no Domingo, para lhe darem  a machadada final e como dizia um anónimo leitor, num comentário a estas tretas: «Eu sei que você sabe, o que sabe que eu sei», traduzido em miudos: Você, é  carne para canhão, querido.
Aqui entre nós, eu nem me importava de o ter como advogado mas para primeiro-ministro, se você o for, eu emigro. Olhe, deixe de me encher a caixa de correio com publicidade enganosa, invente uma crise nervosa e saia de fininho, enquanto pode, porque nós já sabemos que a  família a sustentar é maior do que o seu IRS.

A José Sócrates - Ó homem, deixe lá que lhe diga, você tem sido daqueles que nos promete uma "noite de sonho" e nos deixa à porta de Casa, com um frango de churrasco no papo e a pensar "mais uma noite perdida". 
Arda, senhor, arda. Pegue fogo, aqueça-nos a alma com esperanças e alentos, use lá o que quiser para atear mas ARDA de uma vez. Olhe, deixe lá de andar com a pateta da Edite Estrela na sua sombra, essa senhora, do mais pindérico que há, já deveria  estar, há muito tempo fechada numa sala, a corrigir exames nacionais de português. Irra, que a criatura é mais melga que o emplastro dos directos desportivos!

A Jerónimo de Sousa - Ora aqui está uma bela surpresa, vinda de "muito afinamento de máquinas". Sim senhor! Pelo menos, conseguiu meter o dedo mindinho pelo buraco da porta da sede do PCP. Parabéns! 
Será recompensado quando o povo se comover com mais "achaques" de afonia, quando conseguir derrubar o segundo muro de Berlim e  convencer o mundo de que, a China deve o «Boom» económico ao regime comunista e não à escravatura de mão-de-obra barata... Até amanhã, camarada.

A Paulo Portas - Desculpe, consigo não falo, desapareça-me da vista ... (Perdão, Helena Sacadura Cabral, com este seu filho desacredito as leis de Mendel e qualquer artigo sobre genética, ainda que, publicado na Science.  Este seu rebento, saiu um belo escroque... não fique triste, o "outro" compensa a perda.

A Francisco Louça - Contigo é "tu cá, tu lá, caldeireiros", senão não me entendes. Então é assim:
Tu assustas-me, pá, tu assustas-me. E tu assustas-me, porque eu concordo com quase tudo o que tu dizes, bom, tu limitas-te a criticar, é certo mas criticas com acerto e eu gosto disso. Aqui entre nós, eu não te vejo primeiro-ministro cá do feudo mas que fazes falta no parlamento, lá isso fazes.
Ouve agora um conselho aqui da menina:
Não leves esta coisa tão a sério, pá. Já te viste ao espelho? Tu não te ris, pá e carregas nos rr's como a porra, pá. Pareces um padreco, pá. Eu às vezes, estou assim a olhar p'ra ti, a ouvir com atenção o que tu dizes e até te vejo de batina, pá...
Olha, um destes dias, sai á noite com o Santana, bebe um copo, descontrai, depois umas massagens e tal ... vais ver que te sentes outro e a malta quer é festa, pá! Comes e bebes, presunto, surbias e futebol, tas a ver?

A George Clooney - ... Eu não queria ser repetitiva mas...
Já alguma vez lhe disseram que você é...é... um «pedaço de mau caminho»?? 
Ah sim?...já?...bom,...
E que você, de perfil, parece mesmo um primeiro-ministro, também?
Hum...ah, também já... 
E que você, sozinho, substitui um parlamento?? Esta é nova hem??... 
... Ah, já tinha ouvido também...
... Olhe amigo, eu não tenho muito jeito para estas coisas, não tem programa para amanhã à noite, pois não? 
Amanhã também é sexta nos States, pois é? 
Vai um "Oporto" pr'aquecer??... 
Ah vai? Ok, pronto, então venha buscar-me às dez, que ando meia chateada c'a política e preciso de um tónicozito.

A Congeminações e Canzoada - Porque raio é que eu não consigo comentar os vossos Blog's, hem?? Hem??? Porque raio é que me aparece uma conversa de que não estou autorizada, hem?? MAU!!

Publicado por cotadaembolsa em 12:40 AM | Comentários (7)

fevereiro 17, 2005

A Campanha... (de traseira)

Na recta final da campanha para as legislativas de domingo, dá-se o "tudo por tudo" na caça ao voto da minoria homosexual. Mister Gay, já veio publicamente mostrar o seu desagrado pelos assédios de que tem sido alvo nos últimos dias, negando, categóricamente, ter recebido convites para fazer parte do próximo governo.

Publicado por cotadaembolsa em 05:35 PM | Comentários (1)

fevereiro 16, 2005

Hem??DEBATE!?...Cais debate???

Pois é, a Cotada baldou-se p’ra política e foi ver a “Decaída” (não, não é nada disso que vocês estão a pensar, ele está óptimo), é simplesmente “La Traviata”, uma ópera em três actos, com música de Giuseppe Verdi (1813-1901), libreto de Francesco Maria Piave, baseado no livro de Alexandre Dumas (filho) "A Dama das Camélias". Estreou no Teatro de la Fenice de Veneza, a 6 de Março de 1853 e foi vista pela Cotada 152 anos depois, a 15 de Fevereiro de 2005, depois de a dita senhora perceber que, para lhe darem música em debates de campanha, preferia escolher a temática e quem lhe possuiria os tímpanos nessa noite.
Na expectativa de a persuadir a ouvir o debate televisivo, o candidato a tenor Jerónimo Sousa, passou as últimas 36 horas em treino, exaustivo, de “Belo
Canto” mas o melhor que conseguiu foi ficar afónico, não podendo sequer titubear o conteúdo do chip, com a voz do proletariado, que transporta atrás da orelha, desde saiu da oficina para ingressar no aparelho do partido.
Entretanto, a referida donzela, no Teatro, via-se aflita para conseguir perceber os ex-comunistas moldávos que, não obstante cantarem divinamente, asseguravam a “pés juntos” estar a cantar em italiano, o que aqui se mete em seríssima dúvida.

... Agora que, o Alfredo Germont anda metido com a Violeta Valéry, tipa livre, de festas, jóias e o diabo a quatro, que lhe estourou a massa até ao tutano e aquela desgraçada ainda teve que lhe aturar o pai, com lamechices moralistas, enquanto ardia em febre tuberculosa, dessa certeza é que eu não abdico!!

...Isto, quando mete paixão ardente, é pior que mau governo, ou uma tipa se protege, ou se não der falência, dá sarilho...

Depois conto-vos o resto, é que o canil está a fechar e de hoje não passa.

Publicado por cotadaembolsa em 08:12 PM | Comentários (3)

Promessas... só promessas...



«Não consigo!! Não consigo!!!
 Peçam-me tudo mas com este "Camafeu", nem pela Pátria!!
Ai, valha-me Deus, o que eu fui prometer!! 
Ai, que nem a posso despachar pró o Portas, ou pró Sócrates...»



...bem feito!

Publicado por cotadaembolsa em 11:20 AM | Comentários (3)

fevereiro 15, 2005

Lá no fundo,... uma "Incorrigível Romântica"...


Acho que não te cheguei a dizer quanto gostei do jantar de ontem... 
Dia de Namorados,... quem diria que, depois de tantos anos, seriamos ainda sensíveis a estas datas...
Há tantas coisas que não te disse, tantas coisas que nunca te direi... Coisas que, uma mulher, guarda só para si, até que a verdade venha à tona, como nafta poluente dos mistérios do Amor.
Mas tu, querias saber mais e perguntaste:
«- Ainda sentes ciúme??»
Olhei-te, sorri-te ternamente, pensei na minha vida, nesse sentimento bivalente, algures entre o ódio e a paixão, barómetro primitivo dos níveis de possessão...
Encontrei-o em mim, sim, sou humana...
Lembro-me, perfeitamente, da raiva, da vontade de "tomar à força" o que era meu, da alma mesquinha e atormentada, de me sentir moralmente nua, quando aquela cretina, nos últimos saldos, conseguiu chegar, primeiro que eu, aos sapatos e à mala que namorei toda a estação e respondi-te:
«- Sim amor, ainda era capaz de dar umas navalhadas.»

Publicado por cotadaembolsa em 10:49 AM | Comentários (4)

fevereiro 14, 2005

QUEM É??? QUEM???....... Já demos!



«Este, sabe quem é»...
«Aquele, não sabe quem é»...
«Tem a certeza que sabe quem ele é?»...

... Ora bem, ou comemos todos, ou há moralidade!
Eu também quero um tacho, ó Bando de Badamecos!!





Publicado por cotadaembolsa em 04:10 PM | Comentários (11)

fevereiro 07, 2005

Até sempre...

Este post é dedicado à minha Mãe e a todos os que, de algum modo, me foram procurando neste espaço. 
Bem hajam pelo apoio demonstrado.

Fugi por momentos aos abraços. Olhei o rio e o canteiro de rosas, nascidas das cinzas, a ganhar coragem para olhar a chaminé do forno crematório. O fumo e o cheiro subiam velozmente perdendo-se no ar e nos ramos daquela árvore.
«Acabou», pensei.
Foi aí que ouvi de novo a tua voz:
« A menina, se faz favor, não limpa os beijos que lhe dão!»
Lembrei as eternas "esfregadelas" vigorosas, nas bochechas, na ânsia de limpar o mínimo resquício de saliva, de um qualquer palerma carregado de carências.
Voltei, por momentos, àquele canto onde me escondia para não receber as malditas "lambidelas" das visitas e de onde te via partir, todos os dias, sabe-se lá para quando voltar...
Hoje, sei que não me arrancavas dali porque me conhecias como ninguém e lá ias, sem forçar beijos nem meiguices porque eu era a «tua João» e a tua João não gostava de ser "lambuzada". «Sofre e ama em silencio e nunca soube pedir», repetias.
Quase não te dei beijos, de facto... quase até ao fim.
Há pouco, enquanto em ti se escoava a Vida, ganhei coragem e beijei-te por todos os anos passados. Tremiam-me as pernas, sabes?
Quanto disfarcei nesta tua doença...
Quanto fingi ter forças, ao limpar-te as feridas, enquanto todos, os que sempre te beijavam, olhavam de longe e a medo o que iríamos encontrar ao retirar de cada gaze.
Não mais esquecerei os teus olhos que falavam pela tua boca e me perguntavam se o aspecto era melhor.
Não era...
Nunca era.
Desesperei na tua dor. Adoeci contigo. Depois fui médica, enfermeira, por fim tua Mãe.
Lembras-te de quando te dizia que me sentia para sempre "Filha"?
Lembras?
Aos poucos, ensinaste-me que agora era a minha vez de "remar o barco" e entregaste-me, lentamente, a Família.
A morfina levava-te a dor e a Alma.
Por vezes, entravas num mundo só teu, outras, sabias quem eu era e nesses momentos, sem dar por isso ou por quem estava presente, tocava-te como a um bebé e sussurrava-te: «tranquila, esta aqui a mãe».
Por tantos anos, ouvi-te contar orgulhosa que, quando adoecia, te pedia: «reza mamã, reza porque dói muito» e tu rezavas em voz alta a meu lado, horas a fio. Até isto me devolveste...
A três dias da tua partida, num sofrimento sem limites que não te deixava sossegar, sem hipótese de falar ou escrever, pegaste nas minhas mãos e uniste-as, pediste-me com o olhar que rezasse.
«Estou a rezar, mamã, estou a rezar...» mas não bastava, continuavas de olhar fixo, a unir-me as mãos, até me fazeres entender que querias ouvir.
Rezei alto, placidamente, uma e outra Ave Maria, pedi por Ti, pela tua Paz, pela tua Luz e a cada paragem, abrias os olhos implorando mais... mais...
Sabes, não senti o pai entrar, parei por momentos tangida pelo embaraço mas continuei. Percebi que acalmavas e adormecias e quando por fim te deixaste levar pelo cansaço, olhei-o.  Em quarenta anos, pela primeira vez, vi-o chorar.
Ali estava eu, a tua «mais velha», naquele quarto, a mais velha de todos...
Não chorei a tua morte. A Vida teve o cuidado de me ensinar a Amar profundamente, à distância, antes de te levar de mim.
Tu sabes agora do que falo...
Sabes que espero apenas o momento de te abraçar de novo, ciente que a alegria do «Reencontro» apaga a dor mais profunda. Ás vezes volto àquele canto, já não fujo de qualquer meiguice, Procuro-a.
Levo a tua fotografia, acaricio-te o cabelo e digo-te baixinho:
«Beija-me Mamã, beija-me...»

Publicado por cotadaembolsa em 01:15 AM | Comentários (15)