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Esta
é uma "paixão" antiga.
Mal acabavam as aulas no Colégio, depois de meses a fio "en français",
e de uma ultima prelecção da "ma Mére", (directora secular
da minha segunda Casa) sobre «bem Ser, bem Estar e bem Parecer»,
eram "sagradas" aquelas férias em Espanha.
De facto, não me lembro de sítio onde gostasse mais de ir.
Durante muitos anos, até ser "espigadota", talvez pelo
facto do meu pai ter ali um apartamento, na primeira linha do mediterrâneo
e não ser fácil levar "as miúdas" para mais longe, só
conhecia (e só queria) aquele destino. Da adolescência caprichosa e
agitada, recordo particularmente esses meses alucinantes.
Os amigos esperavam-me, reviamo-nos todos os anos e falávamos de «varanda
para varanda» em código "teen" que, o meu amado pai
abominava, e apelidava de comunicação sem fios.
Ele tinha razão.
Era ali, que se combinavam as noites de banhos ao luar, as idas à disco
e outras loucuras que não me convém, aqui, ventilar.
Falava particularmente bem "espanhol" e digo
"falava" porque a chegada do "italiano" arruinou-me
esta faculdade. Certo é que, por tal facto, tive uns quantos namoricos
que davam outro alento ao "estudo aprofundado da Língua".
Eram "histórias d'amor" que me saiam caro, sobretudo quando
"los chicos" resolviam visitar-me no Porto e eu não sabia
onde os meter, ou o que fazer, à minha vida.
Enfim, tudo tem um principio e aprendi, à custa destas aventuras, umas
quantas teorias que, hoje, são "bases" daquilo em que me
tornei.
Mas deixemos isto, porque não foi o que me trouxe aqui.
Alimentei, durante anos, o gosto pela "fiesta", pelo
"salero", e acima de tudo pelo "flamenco". Não sei
dizer quantos espectáculos vi até hoje. Muitos.
Posso aqui recordar o que mais me marcou, teria eu uns 12 anos, por ter
sido bailado numas grutas perto de Cadiz em ambiente perfeito e
sonoridade "sem explicação". E do último que vi, há uns
meses atrás, interpretado
de forma soberba
pelo corpo de dança do Ballet Flamenco de Madrid, o Libreto de Merimée,
imortalizado por Georges Bizet na ópera Carmen, numa versão para
flamenco.
Tendo passado mais de 26 anos entre estes dois espectáculos e apesar
de, durante este tempo ter aprendido, por puro interesse e imitação,
qualquer coisa sobre os "movimentos da arte", certo é que a
sensação foi a mesma:
«Tenho que aprender, "à séria", a dançar esta coisa.»
Nunca fui muito de "bailes técnicos". A musica toca, o corpo
abana e pronto, tá feito, não devemos complicar. No ano passado, durante a febre da
«Dança do Vente», que
arrastou às escolas de baile o Jet Nacional e suas barrigas, não
me senti minimamente atraída por aprender a "mover as ancas".
Bom, a verdade tem que ser aqui reposta, eu também não sou o estereotipo da
"Mulher Portuguesa", com 1,67m e 52 quilos, sem
grande ventre ou largura de "fiancos", teria que comer muito pão
para fazer "jus" ao nome da dança.
Mas o «Flamenco» é outra história, "toca-me os nervos todos" e hoje, dei o primeiro
passo.
Não, não comprei as "castanholas", liguei para uma Escola e
inscrevi-me.
Agora??
Agora seja o que Deus quiser e o que as pernas ainda me deixarem
sapatear, porsupuesto.
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